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Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

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Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

OPINIÃO: Ponhamo-nos todos a jeito

 

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 Tenho andado tão ocupada com os estudos que acabei por não vir cá tanto como gostaria de vir. Mas hoje teve de ser. É tarde, estou exausta, mas antes de ir dormir tinha mesmo de vir aqui fazer esta pequena reflexão.

Há dois ou três dias surgiu aquela polémica com o Gustavo Santos, que decidiu expressar a sua infeliz opinião acerca do atentado ao Charlie Hebdo, no Facebook. Confesso que quando li o post dele senti algum incómodo, mas hoje senti revolta. Hoje senti revolta porque, ao saber que ele esteve no "Você na TV", fui espreitar o programa para ver o que ele tinha dito. Confesso que tive "esperança" de que ele fosse desmentir as barbaridades que escreveu no Facebook. Esperança em vão. Tudo o que ele disse foi que "o humor tem limites" e "não nos devemos meter a jeito", principalmente quando se trata de "extremistas radicais".

O incómodo que senti inicialmente quanto à opinião dele transformou-se em revolta. Como pode alguém ser tão estúpido e atrasado ao ponto de dizer uma coisa daquelas? Por que raio é que ele acha que é válido determinado tipo de humor em relação aos políticos e não em relação aos muçulmanos extremistas? Que raio de actor é ele se, mesmo tendo uma profissão que assenta na liberdade de expressão, não consegue respeitar a sua existência?

Na minha opinião, e contradizendo o que esse "querido" fez questão de repetir tantas vezes e sem qualquer vergonha na cara, o humor não tem limites, tem apenas o limite do bom e do mau gosto. Tem de haver bom senso por parte de quem pratica humor e por parte de quem o recebe, de quem é "vítima" dele. Ninguém gosta de ver os seus valores ou crenças "humilhados em praça pública", é certo, mas o humor é isso mesmo. E temos de aprender a rir de nós próprios.

Não somos nós, jornalistas, humoristas, cartoonistas e outros artistas, que temos de ter medo de dizer o que pensamos só porque os coitadinhos são extremistas e desatam a matar tudo e todos. Eles é que têm de abrir a mente e perceber que humor é humor e tem de ser respeitado. Eles é que têm de encarar as críticas como apenas críticas e manterem-se fiéis aos seus ideais se é isso que pretendem. Não somos nós que estamos mal, são eles. Não somos nós que precisamos de nos calar, são eles que precisam de aprender a saber ouvir.

O nosso "querido" Gustavo Santos teve ainda a infeliz ideia de dizer que os muçulmanos extremistas seguem o que está na bíblia deles e por isso é que matam quem vai contra os seus ideais. Esse sujeito esquece-se é que, há muitos anos, em Portugal, quem não era Cristão era perseguido e morto, porque a bíblia tinha de ser seguida por todos, todos tinham de ser Cristãos. Hoje, isso não acontece, porque a nossa sociedade evoluiu, porque estavamos mal e mudámos. Mais uma prova de que o problema dos extremistas é que não evoluem, não aceitam críticas sem matarem toda a gente logo de seguida. O problema são eles, não somos nós.

Liberdade de expressão é podermos dizer o que quisermos, quando quisermos, da forma que quisermos, respeitando sempre os limites e a liberdade do outro. O humor é a mais forte arma política e até religiosa de sempre, é a forma mais eficaz de ridicularizar uma situação e já contribuiu várias vezes para mudar o que está menos bem. Ninguém gosta de estar do lado de lá, ninguém gosta de ser o ridicularizado, a vítima. Mas liberdade de expressão implica também ter uma mente aberta e respeitar a liberdade de expressão dos outros.

Ora, seguindo da linha de pensamento do Gustavo Santos, estamos todos a pôr-nos a jeito quando dizemos coisas que pensamos e com as quais os outros não concordam. Gustavo Santos, que diz ter sido ameaçado nos comentários ao seu post no Facebook, estava (seguindo a sua linha de pensamento) a "pôr-se a jeito". 

O único limite da liberdade é o respeito pelo próximo e a compreensão da sua própria liberdade. Não tem de haver imposições à liberdade de expressão, muito menos religiosas ou políticas. Tentem calar-nos, deitar-nos abaixo, ameacem-nos, matem-nos até, mas nenhum sangue derramado nos tirará as forças para dizer aquilo que pensamos.

Ponhamo-nos todos a jeito, se isso significar dizermos o que pensamos, quando pensamos e sem medo das consequências.

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