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Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

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Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

OPINIÃO: Exames, notas, números - quanto valem realmente?

Exames. Sou estudante há 13 anos e todos os dias me pergunto por que razão é que é suposto um exame definir aquilo que sabemos e aquilo que valemos em termos futuros. A minha intenção não é, de todo, criticar o sistema atual de ensino, até porque não vou criticar algo que infelizmente não está nas minhas mãos e que não sei se poderia ser de outro jeito. O meu objetivo com este post é apenas dar o meu ponto de vista, que não é favorável, mas não visa perturbar ou ofender ninguém.

Na minha opinião (e vale o que vale), um aluno não deve ser definido por aquilo que faz ou diz num exame. Um exame dura entre 1h30 a 2h30 (às vezes 3h), é um momento, um espaço determinado de tempo em que é suposto escrevermos num papel aquilo que sabemos, mas apenas aquilo que o professor quer verificar se sabemos. 

Em primeiro lugar, cada um de nós tem mais aptidão para perceber determinadas matérias do que outras. Por exemplo, sempre fui boa a perceber e até decorar matéria sobre História de Portugal, mas sou péssima em decorar História relacionada com Arte e afins. Se o professor decidir perguntar sobre Arte, estou tramada. Isso não significa que não seja boa aluna, significa que é uma matéria que não absorvo tão bem e que, nem a estudar muito, consigo perceber. Ora, isto mostra que o facto de os professores selecionarem a matéria que querem que nós saibamos naquele exame e naquele momento, é totalmente injusto, porque o que eu sei bem pode nem sequer ser uma das escolhas.

Em segundo lugar (e o mais importante de tudo), podemos saber a matéria toda de trás para a frente, perceber tudo, decorar tudo, ter esquemas mentais organizados e textos quase pré-estabelecidos, mas se estivermos num mau dia, se tivermos uma branca, se o carro dos nossos pais tiver um problema a caminho da faculdade/escola ou se o nosso cão tiver morrido não estaremos concerteza no nosso melhor, pelo que poderá acontecer não conseguirmos mostrar ao professor que sabemos tudo aquilo. O final já sabemos: acabamos, como é óbvio, com uma má nota e com o rótulo de "não sabes nada" estampado na testa.

A minha questão é: serão mesmo as x horas de um exame que têm de definir a nossa vida? Será que merecemos ser rebaixados e, muitas vezes, sentirmo-nos frustrados, apenas porque naquele momento, embora soubessemos toda a matéria, não conseguimos dar o nosso melhor? Será justo para nós, alunos, trabalharmos dois ou três anos para um disciplina (ou até um ano que seja), conseguirmos acabar com boa nota e, nos exames de fim de ciclo, termos uma má nota que definirá o nosso percurso de certa forma?

Aconteceu-me várias vezes durante o meu percurso escolar sentir-me injustiçada pela forma de avaliação existente em Portugal (e, é claro, noutros países). Não considero que um exame me defina como aluna. A meu ver, o mais importante é o trabalho contínuo, o trabalho de aula, o trabalho de casa. Sim, sou a favor de exames, porque é necessário haver uma avaliação de conhecimentos. Mas sou contra a importância exagerada que lhes é dada. Os exames deveriam ser menos importantes na avaliação de um aluno do que aquilo que ele faz durante o ano.

Esta situação sempre me revoltou, mas começou a revoltar-me mais no final do meu 12º ano, quando no exame de História tirei uma nota miserável. Tive História desde o 5º ano, mas História A desde o 10º. Trabalhei 3 anos para conseguir uma boa média a todos os níveis, mas principalmente a História, por ser uma disciplina que exige mais trabalho, e por saber que teria um exame ao fim de 3 anos. Nunca gostei de História. Nunca me interessei muito. Mas tive de aprender a tornar a matéria interessante. Aprendi sozinha. Aprendi a estudar, a perceber, a decorar. Aprendi a interessar-me por algo que nunca me tinha chamado a atenção. Comecei com uma nota boa, subi para uma melhor e acabei com a nota pela qual lutei durante três anos.

Mas eis que chega o exame e aquela nota horrível. Fez-me descer a média em geral e a média da disciplina (de forma significativa). Senti-me frustrada, desiludida e pensei mesmo em ir à segunda fase. Mas não fui, porque o meu orgulho teve de ser mais forte. Senti-me injustiçada, não por achar que merecia mais, até porque sei que naquele exame não merecia, mas por ter a noção de que foi um mau dia, um momento em que não consegui dar o meu melhor e esse momento fez-me perder aquilo pelo qual tinha lutado durante 3 anos. 

Obviamente consegui entrar no curso onde queria, sem problemas com esse exame, mas às vezes ainda me questiono: não devia ser o trabalho que tive durante 3 anos com aquela disciplina a definir-me como aluna? Já nem falo de eliminar a importância dos testes, mas sim dos exames finais, que são os piores, porque nos obrigam a relembrar coisas que já esquecemos e a saber uma enorme quantidade de matéria em tão pouco tempo. E, o pior: roubam-nos 30% da nota. 

É por tudo isto e partindo também da experiência de exames que estou a ter neste momento, que defendo que devia ser dada uma maior importância ao trabalho durante os anos em que se tem determinada disciplina (contando, obviamente, testes), e menor importância aos exames de final de ciclo, que nada dizem acerca da nossa sabedoria, da nossa qualidade como alunos e da nossa capacidade de aprender. 

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