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Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

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Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

OPINIÃO: Porque amanhã é sempre tarde demais...

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"Amanhã faço isso", "amanhã digo-lhe que a/o amo", "amanhã dou-lhe um abraço apertado", "amanhã faço-a/o sorrir". 

Somos seres do "amanhã". Deixamos sempre para amanhã as coisas que podemos fazer hoje. Não estou a falar de trabalhos, de estudo ou daquele texto que deviamos ter lido para aquela cadeira. Estou a falar de sentimentos. Porque quando deixamos um trabalho para amanhã não é grave; grave é quando deixamos um "amo-te" para amanhã, um abraço para amanhã, um "sinto a tua falta" para amanhã - sem nos lembrarmos de que o amanhã pode não chegar.

Quem me conhece sabe que vivo em função do futuro. O futuro alimenta-me. A ideia de que no próximo fim-de-semana vou a um concerto ao qual sempre quis ir faz-me ter vontade de viver até lá. Quando o concerto acaba, arranjo outro plano qualquer que me faça sentir vontade de chegar esse outro dia. Vivo em função disso e sou feliz assim. Mas o problema é que, como humana que sou, também deixo para o "futuro", para o "amanhã", coisas que seriam fundamentais fazer hoje.

Quantas vezes já deixámos um "amo-te" ou um "gosto muito de ti" por dizer? Quantas vezes quisemos dizer a alguém que apreciamos a sua amizade e deixámos para outro dia, porque "hoje não apetece"? Quantas vezes evitámos dar aquele abraço de que tanto precisavamos (e que poderia fazer tão bem à outra parte envolvida) só por comodismo? Quantas vezes segurámos as lágrimas porque "hoje não quero chorar, hoje é um dia feliz, amanhã choro"? Quantas vezes calámos um "tenho saudades tuas" ou o substituímos por um "vai, eu fico bem"? 

A meu ver, é aí que falhamos. Amanhã, as pessoas a quem queriamos dizer "amo-te", "gosto muito de ti", as pessoas que queriamos abraçar, as pessoas cuja amizade apreciamos e as pessoas que nos fazem falta, podem não estar lá para ouvir aquilo que podiamos ter dito ontem. E as lágrimas que prendemos ontem podem não conseguir sair amanhã. Porquê evitar chorar? Porquê evitar amar? Porquê evitar abraçar? 

Será que somos tão racionais ao ponto de não conseguirmos colocar essa racionalidade de lado e dizer o que precisamos de dizer e fazer o que precisamos de fazer? Por que razão não nos permitimos sentir essa felicidade? A felicidade de dizer livremente o que sentimos, no momento em que o sentimos e não "amanhã"? 

Esta é uma das coisas que pretendo mudar, a pouco e pouco, um passo de cada vez, porque sei que isso me irá permitir ser mais feliz e fazer mais felizes as pessoas que gostam de mim e que estão ao meu lado. E vocês, quando mudam? Parem de esperar pelo aniversário daquele amigo para lhe dizerem que ele é uma pessoa espetacular, parem de esperar pelo Natal para espalharem mensagens de "boas festas" por pessoas com as quais nem falam durante o ano, parem de esperar por amanhã. Façam-no agora. Amem agora. Lutem agora. Vivam agora. O mundo será bem melhor.

 

 

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