Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

OPINIÃO: Legislativas

Tendo em conta que estamos no ano das próximas eleições legislativas e que já cheira a alguma propaganda política - que me irrita solenemente - decidi que esse assunto merecia um post.

Não sou a favor de partido A, B ou C. Não tenho uma ideologia política definida, não porque não saiba o que quero, mas porque não acredito em partidos, mas sim em pessoas. A meu ver, é um erro enorme votarmos num partido que tem ideologias próximas das nossas, esquecendo o facto de que é o líder do partido que aplicará, se ganhar as eleições, essas mesmas ideologias - ou que decidirá não as aplicar. É muito fácil um partido ter meia-dúzia de valorzecos escritos numa folha de papel e dizer, durante a campanha eleitoral, que os vai ter em conta se for eleito - o mais difícil é fazê-lo.

Neste sentido, não estou aqui para defender um partido ou um candidato, mas sim para criticar a incapacidade que algumas pessoas têm de ver o que está à sua volta e de entenderem o que está realmente a ser feito para mudar o estado atual do nosso país - e o que não está, de todo, a ser feito.

Fico um tanto revoltada quando ouço pessoas dizer que, nas próximas legislativas, votarão em Passos Coelhos, porque "até está a fazer um bom trabalho". Sem querer desrespeitar a opinião de ninguém, mas tentando, claramente, demonstrar a minha: anda tudo cego ou sou eu a única a ver bem? Digo, sem qualquer pudor, que o nosso Primeiro Ministro, ao longo do seu mandato, tomou algumas medidas/decisões com as quais concordo e que acho pertinentes. No entanto, foram mais aquelas que, não só não são pertinentes, como ainda nos prejudicam todos os dias. 

Desde quando é que cortar nos salários e pensões, na saúde e na educação é uma medida essencial para fazer avançar a economia e pagar a dívida? Se metermos de lado a nossa mentalidade portuguesa tipicamente retrógrada e pensarmos em países como a Finlândia, em que a educação e a saúde são totalmente gratuitas e, ainda por cima, o Estado assegura todas as despesas essenciais com os filhos até aos 18 anos, percebemos que é assim que se faz avançar um país. Isto porque se houver educação gratuita, existirá uma mão-de-obra mais qualificada e, existindo um sistema de saúde gratuito e adequado às necessidades dos cidadãos, os trabalhadores terão saúde - condição essencial para quem quer (e precisa) trabalhar. Ora, um país com mão-de-obra qualificada e saudável, mão-de-obra essa que se sente motivada para trabalhar por saber que não terá cortes extraordinariamente arrebatadores no final do mês, é, sem dúvida, um país em que a economia não está parada - uma mão-de-obra que trabalha afincadamente gera dinheiro que, consequentemente, irá gerar uma maior capacidade de financiamento da educação e saúde por parte do governo.

Podemos, então, concluir, que existe nesses países uma economia que compensa os seus próprios investimentos - quanto mais investem, mais conseguem receber, para poderem investir ainda mais.

Vamos, agora, voltar ao nosso pequeno país e compará-lo com esta situação. Não faria sentido que o nosso governo implementasse medidas no sentido de promover a educação e a saúde, em vez de fazer exatamente o oposto? Não digo que seja fácil, tendo em conta a crise que atravessamos, mas mesmo não sendo economista (nem nada que se pareça) consigo compreender que dinheiro gera dinheiro, investimento gera retorno e é disso que precisamos.

Enquanto estudante sei que se tivesse apoios suficientes e um sistema de saúde que me permitissem estar em condições de estudar, dedicar-me-ia ainda mais, não porque não me dedique o suficiente agora, mas porque o fator motivação estaria presente, juntamente com o factor saúde. Ora, com saúde e motivação qualquer estudante consegue chegar longe - ou pelo menos grande parte dos que não chegam, porque nem possibilidades têm para isso.

É inadmissível que, num país democrático, ainda existam pessoas que não podem ingressar no Ensino Superior porque não têm qualquer apoio. Fala-se, então, nas famosas bolsas, bolsas essas que não dão para pagar todas as despesas (e ainda assim depende das bolsas). Infelizmente, nem todos as conseguem ter e, mesmo os que as têm, não garantem a sobrevivência longe de casa, com propinas, alimentação e habitação para pagar, apenas com o dinheiro que recebem mensalmente (e a más horas) desse fundo de apoio.

Claro que é positivo termos bolsas, até porque, como tugas que somos, dizemos sempre "mais vale isso que nada". Mas não é suficiente. Somos um dos países com os melhores profissionais - em todas as áreas - de sempre, somos um povo empenhado, trabalhador e temos tantos jovens com tantas capacidades, que poderiam dar algum dinamismo a este Portugal adormecido pela corrupção e pelo "deixa andar" - porque não aproveitá-los?

Posto isto, todos aqueles que poderão votar em Outubro, poderão tomar dois caminhos: por um lado, continuar a acreditar que este governo tem feito tudo bem e que merece outra oportunidade, porque as suas medidas são as corretas; ou, por outro lado, abrir os olhos e perceber que, por muito que simpatizemos com um partido, quem está a governar o nosso país não é tanto o partido, mas quem o dirige. O partido, esse, não faz mal a ninguém.

Deixo claro, antes que me caiam todos em cima, que não sou contra a existência de partidos, bem pelo contrário. Apenas defendo e acredito que nem todos os líderes partidários cumprem à risca a ideologia do partido a que pertencem, pelo que, se atribuirmos culpa a alguém, que seja à pessoa e não à "instituição".

Votarei, pela primeira vez, nas eleições legislativas, no presente ano. Não sou ninguém, mas faço a diferença, porque todos nós a podemos fazer, com um simples gesto: VOTO. A abstenção não é, de todo, o caminho - mas a cegueira também não. Está na hora de abrirmos os olhos e usarmos o poder que temos - e que por nós foi conquistado - para garantir que o próximo governo nos trará não apenas palavras, mas também atos concretos, melhorias e que, sobretudo, seja dotado de alguma honestidade - é dela que precisamos em momentos destes. Isto só mudará quando tivermos um Primeiro Ministro que tenha a decência de dizer "isto está mau, a culpa é nossa, vamos pôr mãos à obra", em vez de um que apenas nos diz que tudo está no bom caminho, tentando atirar areia para os olhos de um povo que, não tendo mais nada, se agarra à esperança.

Todos podemos votar em alguém que pensamos ser adequado ao cargo e, depois, ficarmos desiludidos com a sua prestação. Mas se é certo que à primeira todos caem, à segunda só cai quem quer. 

Em Outubro, votem com consciência.