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Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

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Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

FF: “Fiquei muito surpreendido por termos um público tão fiel”

A 23 de julho do presente ano foi-me permitida a realização de um sonho, tanto pessoal como profissional - realizei a minha primeira entrevista presencial. A nível pessoal foi a concretização do sonho de conhecer alguém que tanto admiro, o FF. A nível profissional foi, sem dúvida, o subir de mais um degrau em relação ao progresso que pretendo fazer ao longo da minha carreira que ainda nem começou. 

Tenho feito várias entrevistas a pessoas que admiro muito, todas via email ou facebook e hoje, depois de fazer a minha primeira entrevista presencial, tenho a certeza de que foram essas pequenas (e, para alguns, insignificantes) entrevistas online que me deram o estofo necessário para ser capaz de fazer uma entreviste coesa, coerente e com perguntas pertinentes. É isto que melhor demonstra a tese que tanto defendo de que é bom começarmos pelos passos básicos (neste caso as entrevistas online) para depois conseguirmos dar um salto grande e bem dado para as entrevistas presenciais que exigem, sem dúvida, uma maior preparação. Não nos serve de nada tentar saltar logo para algo de maior dimensão se nem sequer dominarmos o básico. Fica a dica.

Passando ao que importa, quero desde já agradecer ao FF pela prontidão em responder às perguntas que eu e a minha colega do blogue Viagens pelo Mundo lhe colocámos, por ter aceite perder uns minutos do seu tempo connosco e por ter sido tão humilde, tão simpático e tão generoso nas respostas. É por existirem pessoas assim que nós e todos aqueles que lutam pelo seu futuro passo a passo conseguem realmente chegar a algum lado. Muito obrigada FF, foi um prazer!

Aqui fica, então, a entrevista que com tanto gosto fizemos a um dos grandes nomes da música portuguesa.

 

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P: O que é que o FF de agora tem de diferente do FF do tempo dos Morangos com Açúcar?

R: Dez anos separam um do outro. Ao longo destes dez anos também fui ganhando a confiança e talvez a maturidade que não tinha quando comecei para poder fazer este disco/trabalho que, aliás, ando a promover atualmente e com muito gosto porque estou a tentar pela primeira vez o género de músicas que têm muito a ver com a minha personalidade e com a minha voz e acho que isso é visível nos concertos. Deixa-me muito feliz ver que as pessoas entendem isso e percebem que desta vez não sou eu a emprestar a voz a outro projeto musical ou a imitar alguém, desta vez sou eu a mostrar aquilo que sou musicalmente e é um caminho que nem sempre é fácil mas é essencial quando pensamos em construir um percurso e uma carreira, não olhando só para aquilo que vamos fazer no ano a seguir, mas olhando para o futuro pensando que daqui a vinte ou trinta anos eu vou querer ouvir este trabalho e vou querer continuar a gostar dele. Precisamente por essa necessidade é que eu também me desvirtuei um bocadinho do universo televisão que era um universo mais juvenil e pop e me ensinou muita coisa mas que a certa altura é quase como tu teres necessidade de quereres sair de casa e foi isso, no fundo, que aconteceu.

 

 

P: Com um estilo de música anterior tão diferente porque é que decidiste optar pelo caminho do fado?

R: Porque, na verdade, o estilo de música ainda mais anterior a esse é o fado. O fado não surge depois da minha aparição na televisão, pelo contrário, o fado já vinha de antes, já vinha desde eu ser pequenino. Aliás, a primeira vez que participei em alguma coisa ou que fiz alguma coisa ligada com música foi no Bravo Bravíssimo, com 11 anos, a cantar um fado de Amália Rodrigues – Gaivota – que, aliás, hoje fiz questão de cantar aqui também. Portanto, o fado foi a minha primeira paixão e também a minha primeira forma de explorar a minha voz e o canto. Mais tarde ou mais cedo eu percebi que teria de lá regressar apesar de isto não ser um projeto de fado tradicional, tem o fado mais na minha voz do que propriamente nos instrumentos que o compõem porque não temos guitarra portuguesa nem violas, mas cantamos e fazemos alguns fados porque faz sentido.

 

P: Querer é o truque para ter? Tem sido assim ao longo da tua carreira?

R: Tem, tem e com muito trabalho. Eu acho que essa mensagem continua a fazer sentido e vai fazer sempre, porque quando queremos uma coisa não podemos ficar simplesmente à espera que ela nos caia do céu, temos de batalhar por ela, temos de lutar por ela e é isso que eu faço todos os dias e todos os anos tentando melhorar o meu trabalho, melhorar-me enquanto intérprete, enquanto compositor, enquanto músico e mostrando às pessoas que estou a fazer o meu trabalho, que estou a tentar mostrar-lhes sempre algo que elas não conheçam e que espero que elas gostem.

 

P: Como é que te sentiste a atuar para o público de Mira? O que é que achaste do público?

R: Muito bem. Fiquei muito surpreendido por termos um público tão fiel que ficou do início ao fim e pediu para voltarmos, o que eu acho que é sempre um ótimo reflexo do concerto. Quando um concerto acaba e o público quer que nós voltemos, eu acho que não pode haver melhor reflexo de ter corrido bem ou não senão esse. Se nós sairmos de palco e não voltarmos, o público se calhar gostou mas não sentiu vontade de ouvir mais músicas e desta vez aconteceu, o que me deixa muito feliz até porque este segundo final é um final que fica sempre em aberto, umas vezes fazemos, outras vezes não fazemos, porque nem sempre os públicos o permitem. Fico feliz por hoje, depois de um concerto de uma hora e meia, ainda ter de voltar, ainda mais numa quinta-feira, um dia de semana, em que apesar de haver muita gente de férias a verdade é que é um dia a meio da semana e deixa-me muito feliz saber que este público é tão carinhoso e que cantou e esteve presente.

 

 

Se quiserem ver a entrevista publicada no jornal Miraonline, em nome do qual a realizámos, basta clicarem aqui. Espero que gostem, que comentem e que partilhem!