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Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

(Des)acordo ortográfico

Desde que se soube que iria haver um novo Acordo Ortográfico, a polémica instalou-se na Internet, nas redes sociais e espalhou-se um pouco por toda a população, como se uma epidemia perigosa estivesse prestes a entrar no nosso país e a levar-nos todos à morte. No fundo, o novo Acordo Ortográfico acaba por ser uma epidemia da língua portuguesa, que entrou para lhe tirar alguma da sua personalidade.

Sou, desde o início, contra este acordo, mas tive de me conformar, não porque sou conformista mas porque sou estudante e, como tal, sou obrigada a escrever segundo as normas. E é exatamente por isso que estou a escrever este texto. Irrita-me solenemente ver um grupo de pessoas, muitas delas conhecidas do grande público, dizerem nas redes sociais que se recusam a escrever segundo as novas medidas e que, como são contra o Acordo Ortográfico, apoiam a sua reversão. Ora, se pensarmos um bocado, isto é totalmente injusto para quem, como eu, tem de se limitar a aceitar ordens e normas ou, caso contrário, chumba num exame por dar erros ortográficos. É perfeitamente claro que um qualquer escritor conceituado pode recusar-se a escrever segundo as novas normas, assim como Saramago se recusava a utilizar pontuação - porque pode, porque qualquer escritor é livre de criar as suas próprias regras sem ser julgado por isso. Nesse sentido, respeito claramente quem se recusa a aderir ao novo Acordo Ortográfico, até porque também eu sou contra, o que não respeito nem aceito é que proponham a ideia de reverter tudo e voltarmos ao antigo acordo, visto que isso iria prejudicar qualquer estudante que já escreva de acordo com as novas normas. 

Habituei-me no início desde ano letivo a escrever com o novo Acordo Ortográfico, por muito que isso vá contra os meus ideiais - tive de me conformar com isso para não dar erros ortográficos nos meus trabalhos e exames. Custou um bocado habituar-me porque sempre escrevi segundo as normas antigas, mas o que tem de ser tem muita força, por isso engoli alguns sapos e lá consegui aprender a escrever assim. Agora, após um ano de treino neste sentido, e embora ainda existam algumas palavras que me custam escrever de acordo com as novas normas, já não consigo voltar a escrever com o antigo acordo - não porque não me lembre como se escreve, mas porque já me habituei de tal forma ao novo acordo que reverter tudo iria ser uma confusão autêntica na minha cabeça.

Sou totalmente contra o facto de termos de nos aproximar do português do Brasil, visto que sendo a nossa língua a língua "mãe", deveriam ser eles a aproximar-se de nós e não o contrário (até porque há palavras que ficam tão esteticamente horríveis que nem tenho explicação). Compreendo e apoio toda a polémica em volta deste caso, por entender que se trata de uma enorme afronta à língua de Camões, mas temos de ter dois dedos de testa e não reverter aquilo que já está em vigor. Se queriam reverter alguma coisa deveriam tê-lo feito ANTES de os alunos serem obrigados a escrever desta forma - porque agora já vão tarde.

Não podemos andar com brincadeiras de "agora aprendam a escrever assim" e mais tarde "afinal já não é preciso", porque enquanto estudante que sou considero isso um ataque ao meu percurso académico e uma afronta a todo o esforço que tive de fazer para aprender a escrever segundo normas com as quais discordo mas que me foram claramente impostas.

OPINIÃO: Legislativas

Tendo em conta que estamos no ano das próximas eleições legislativas e que já cheira a alguma propaganda política - que me irrita solenemente - decidi que esse assunto merecia um post.

Não sou a favor de partido A, B ou C. Não tenho uma ideologia política definida, não porque não saiba o que quero, mas porque não acredito em partidos, mas sim em pessoas. A meu ver, é um erro enorme votarmos num partido que tem ideologias próximas das nossas, esquecendo o facto de que é o líder do partido que aplicará, se ganhar as eleições, essas mesmas ideologias - ou que decidirá não as aplicar. É muito fácil um partido ter meia-dúzia de valorzecos escritos numa folha de papel e dizer, durante a campanha eleitoral, que os vai ter em conta se for eleito - o mais difícil é fazê-lo.

Neste sentido, não estou aqui para defender um partido ou um candidato, mas sim para criticar a incapacidade que algumas pessoas têm de ver o que está à sua volta e de entenderem o que está realmente a ser feito para mudar o estado atual do nosso país - e o que não está, de todo, a ser feito.

Fico um tanto revoltada quando ouço pessoas dizer que, nas próximas legislativas, votarão em Passos Coelhos, porque "até está a fazer um bom trabalho". Sem querer desrespeitar a opinião de ninguém, mas tentando, claramente, demonstrar a minha: anda tudo cego ou sou eu a única a ver bem? Digo, sem qualquer pudor, que o nosso Primeiro Ministro, ao longo do seu mandato, tomou algumas medidas/decisões com as quais concordo e que acho pertinentes. No entanto, foram mais aquelas que, não só não são pertinentes, como ainda nos prejudicam todos os dias. 

Desde quando é que cortar nos salários e pensões, na saúde e na educação é uma medida essencial para fazer avançar a economia e pagar a dívida? Se metermos de lado a nossa mentalidade portuguesa tipicamente retrógrada e pensarmos em países como a Finlândia, em que a educação e a saúde são totalmente gratuitas e, ainda por cima, o Estado assegura todas as despesas essenciais com os filhos até aos 18 anos, percebemos que é assim que se faz avançar um país. Isto porque se houver educação gratuita, existirá uma mão-de-obra mais qualificada e, existindo um sistema de saúde gratuito e adequado às necessidades dos cidadãos, os trabalhadores terão saúde - condição essencial para quem quer (e precisa) trabalhar. Ora, um país com mão-de-obra qualificada e saudável, mão-de-obra essa que se sente motivada para trabalhar por saber que não terá cortes extraordinariamente arrebatadores no final do mês, é, sem dúvida, um país em que a economia não está parada - uma mão-de-obra que trabalha afincadamente gera dinheiro que, consequentemente, irá gerar uma maior capacidade de financiamento da educação e saúde por parte do governo.

Podemos, então, concluir, que existe nesses países uma economia que compensa os seus próprios investimentos - quanto mais investem, mais conseguem receber, para poderem investir ainda mais.

Vamos, agora, voltar ao nosso pequeno país e compará-lo com esta situação. Não faria sentido que o nosso governo implementasse medidas no sentido de promover a educação e a saúde, em vez de fazer exatamente o oposto? Não digo que seja fácil, tendo em conta a crise que atravessamos, mas mesmo não sendo economista (nem nada que se pareça) consigo compreender que dinheiro gera dinheiro, investimento gera retorno e é disso que precisamos.

Enquanto estudante sei que se tivesse apoios suficientes e um sistema de saúde que me permitissem estar em condições de estudar, dedicar-me-ia ainda mais, não porque não me dedique o suficiente agora, mas porque o fator motivação estaria presente, juntamente com o factor saúde. Ora, com saúde e motivação qualquer estudante consegue chegar longe - ou pelo menos grande parte dos que não chegam, porque nem possibilidades têm para isso.

É inadmissível que, num país democrático, ainda existam pessoas que não podem ingressar no Ensino Superior porque não têm qualquer apoio. Fala-se, então, nas famosas bolsas, bolsas essas que não dão para pagar todas as despesas (e ainda assim depende das bolsas). Infelizmente, nem todos as conseguem ter e, mesmo os que as têm, não garantem a sobrevivência longe de casa, com propinas, alimentação e habitação para pagar, apenas com o dinheiro que recebem mensalmente (e a más horas) desse fundo de apoio.

Claro que é positivo termos bolsas, até porque, como tugas que somos, dizemos sempre "mais vale isso que nada". Mas não é suficiente. Somos um dos países com os melhores profissionais - em todas as áreas - de sempre, somos um povo empenhado, trabalhador e temos tantos jovens com tantas capacidades, que poderiam dar algum dinamismo a este Portugal adormecido pela corrupção e pelo "deixa andar" - porque não aproveitá-los?

Posto isto, todos aqueles que poderão votar em Outubro, poderão tomar dois caminhos: por um lado, continuar a acreditar que este governo tem feito tudo bem e que merece outra oportunidade, porque as suas medidas são as corretas; ou, por outro lado, abrir os olhos e perceber que, por muito que simpatizemos com um partido, quem está a governar o nosso país não é tanto o partido, mas quem o dirige. O partido, esse, não faz mal a ninguém.

Deixo claro, antes que me caiam todos em cima, que não sou contra a existência de partidos, bem pelo contrário. Apenas defendo e acredito que nem todos os líderes partidários cumprem à risca a ideologia do partido a que pertencem, pelo que, se atribuirmos culpa a alguém, que seja à pessoa e não à "instituição".

Votarei, pela primeira vez, nas eleições legislativas, no presente ano. Não sou ninguém, mas faço a diferença, porque todos nós a podemos fazer, com um simples gesto: VOTO. A abstenção não é, de todo, o caminho - mas a cegueira também não. Está na hora de abrirmos os olhos e usarmos o poder que temos - e que por nós foi conquistado - para garantir que o próximo governo nos trará não apenas palavras, mas também atos concretos, melhorias e que, sobretudo, seja dotado de alguma honestidade - é dela que precisamos em momentos destes. Isto só mudará quando tivermos um Primeiro Ministro que tenha a decência de dizer "isto está mau, a culpa é nossa, vamos pôr mãos à obra", em vez de um que apenas nos diz que tudo está no bom caminho, tentando atirar areia para os olhos de um povo que, não tendo mais nada, se agarra à esperança.

Todos podemos votar em alguém que pensamos ser adequado ao cargo e, depois, ficarmos desiludidos com a sua prestação. Mas se é certo que à primeira todos caem, à segunda só cai quem quer. 

Em Outubro, votem com consciência.

OPINIÃO: Violações em Portugal - crime ou tragédia?

Quem me conhece minimamente bem sabe que sou radical em grande parte das minhas opiniões. Para mim não há meio termo: ou é tudo ou nada. Por essa razão, decidi avisar desde já que a opinião que irá constar deste texto não irá agradar a muitos e chocará, concerteza, outros tantos. Contudo, a liberdade de expressão é um valor que muito prezo e, por isso, vou usufruir dele.

 

Todos os dias ouvimos/lemos notícias acerca de violações (tanto a menores como a adultos). Tantas vezes vejo programas em que alguns especialistas na Lei falam acerca das penalizações atribuídas a pessoas que cometem este tipo de crimes (que não podem exceder os 5 anos de prisão) e, depois de ver e ouvir tanta informação acerca deste assunto, resta apenas um sentimento quanto ao mesmo: revolta. 

Como é possível que, num país democrático e numa sociedade evoluída, seja atribuída uma pena tão pequena a violadores? Sempre soube que a justiça portuguesa já teve melhores dias, mas nunca pensei que fossemos tão atrasados. 

Se um assassino pode chegar à pena máxima - dependendo do homicídio e de outros tantos pormenores dos quais não falo por não ter muito conhecimento acerca do assunto - por que razão um violador não passa dos 5 anos (quando chega, realmente, a ser preso)? 

A meu ver, mesmo nunca tendo passado por isso, uma violação é pior do que um homicídio, porque no homicídio a vítima morre uma única vez, enquanto na violação a vítima morre todos os dias a partir desse momento. Não será essa morte constante, essa degradação do corpo e da mente, motivo suficiente para que esses filhos da mãe serem devidamente castigados por aquilo que fizeram?

Chegou, então, a parte que chocará alguns seres mais sensíveis e religiosamente atrasados: na minha opinião - e vale o que vale - os violadores mereciam uma pena de prisão com uma vertente de tortura. Tortura de sono, tortura física, tortura psicológica. Digo tortura, sem qualquer vergonha de o dizer, porque considero que neste tipo de crimes só é feita justiça quando quem os comete sente na pele um pouco do sofrimento da sua vítima. Não sou a favor da pena de morte, porque a morte não mata realmente - a tortura mata mais. Violação é tortura, daí que seja necessário torturar quem viola. Mais: sou a favor de que as vítimas, se quisessem, pudessem torturar - ou pelo menos descarregar alguma raiva - em quem as violou, de forma assistida e totalmente legal.

Opiniões radicais - embora não totalmente descabidas - de parte, surge-me uma questão pertinente: em Portugal, violação é crime ou tragédia? A resposta é clara: nós, Portugal, nós, portugueses, encaramos a violação como uma tragédiazinha que a coitadinha da nossa conhecida vivenciou e, por causa disso, nunca mais foi a mesma. O diminutivo tem, obviamente, de estar presente, não fossemos nós apologistas do ato de "sentir pena". 

E é aqui que erramos, enquanto país, enquanto comunidade e, sobretudo, enquanto seres humanos. Uma violação não é uma tragédia - tragédia é o país estar como está e termos um Primeiro Ministro que nos diz que está tudo no bom caminho. Uma violação é um crime, mais grave do que um homicídio. Violar é matar todos os dias a vítima, é fazer com que esta deixe de viver para passar a sobreviver, como pode, consumida pela raiva que sente e a aversão que tem àquela pele que jamais conseguirá esquecer. 

Precisamos, urgentemente, de encarar este tipo de crimes como algo que merece ser verdadeiramente punido. Precisamos de um país no qual seja feita justiça a estas vítimas - e não apenas uma justiçazeca, só porque "pelo menos a coitadinha da vítima está viva e o que importa é ter saúde". 

Sou defensora de um país em que os seres desumanos sejam devidamente punidos, sem qualquer pudor. 

 

OPINIÃO: "Um lar debaixo da ponte"

Perante todos os comentários que vi acerca da reportagem da TVI, transmitida ontem, sobre a vida de dois sem-abrigo, não pude deixar de sentir curiosidade em ver. Acabei agora de ver os 27 minutos de uma reportagem que parecia nunca mais ter fim. Digo isto não por ter sido entediante (foi tudo menos isso), mas porque foram 27 minutos em que eu me odiei por me queixar tanto da vida maravilhosa que tenho, quando comparada com tantas pessoas que não podendo viver, apenas sobrevivem.

"Estou aqui porque preciso de cá estar", foi uma das primeiras frases da reportagem. Juan Bento e Fernando Torrezão. Dois dos tantos sem-abrigo que por aí vamos vendo. Duas pessoas que vivem debaixo de uma ponte, com pouco ou nada e que, mesmo assim, sorriem. Sorriem porque não têm nada mas estão vivos. Sorriem porque enquanto houver amanhã haverá sempre esperança. E como temos nós a lata de perder a esperança por coisas tão desnecessárias, quando pessoas como estas a conseguem manter?

Em Portugal, 1 em cada 5 pessoas são pobres. É exatamente isto que mais me revolta. Vivemos num país em que a pobreza é desculpada, quase como se fosse perfeitamente natural e válido esta estatística ser verdadeira. Portugal é um país governado por aqueles que acham que viver na rua é um luxo, por aqueles que acreditam que toda a gente pode viver com pensões e ordenados míseros (quando os têm) menos os Senhores Doutores que mandam nesta merda toda. Perdoem-me a linguagem, mas às vezes é preciso dar nomes às coisas e este país não passa de uma merda, no seu estado mais puro.

Ao ver casos destes (e outros que não são mediatizados) penso instantaneamente no que poderia fazer para ajudar. E pergunto-me: será que esses filhos da mãe que nos governam não pensam que um pedacinho do ordenado deles poderia ajudar muita gente? Será que não entendem que os milhões que metem ao bolso davam para salvar muitas pessoas da crueldade das ruas? Se alguns cidadãos comuns (mesmo não tendo muito) conseguem sentir a necessidade e até o dever de ajudar estas pessoas, como é que aquela gentinha não sente isso?

A meu ver, ajudar os sem-abrigo e toda a gente que faz parte da estatística que cobre o nosso país com um manto de vergonha, deveria ser um DEVER de todos, mas principalmente daqueles que têm tanto e nada fazem. Como podem eles dormir sabendo que 1 em cada 5 pessoas não sabem o que é viver, porque a única coisa que lhes é permitida é sobreviver? Somos governados por pessoas ou por cavalos? Sem ofensa aos cavalos, que devem concerteza ter mais sentimentos.

Chorei durante toda a reportagem. Chorei porque a verdade dói, custa a engolir e porque dou e sempre dei um valor enorme a pessoas que conseguem ir vivendo desta forma e que, mesmo assim, se dignam a ser pessoas honestas, quando tinham todas as razões do mundo para não o serem - visto que a desonestidade dá mais lucro por estes lados.

Orgulho-me de, pelo menos, viver num país em que os media fazem o que deve ser feito: divulgam estes casos. Se não servir como uma forma de abrir os olhos a quem se nega a ver, que sirva pelo menos de uma chapada na cara para esses "senhores" que todos os dias nos tentam atirar areia para os olhos com toda a porcaria que dizem.

Sinto-me revoltada com o país em que vivo, com a sociedade hipócrita e atrasada que temos e, principalmente, com os "ricalhaços" lá de cima, que são tão ricos e acabam por não ter nada.

Nunca esquecerei uma das últimas frases que Fernando disse: "Não sou capaz de pedir nada a ninguém, quando o faço é por grande necessidade ou porque tenho muita fome para o fazer."

Quando vivemos num país em que um sem-abrigo demonstra não ser capaz de pedir nada a ninguém, enquanto quem nos governa nem pede - apenas rouba - algo está mal. Se eu, que não sou ninguém, consigo ver isso, por que raio é que quem devia ver não vê?

Somos um país de cegos, do pior tipo de cegos: aqueles que não querem ver.

 

OPINIÃO: Pedro Abrunhosa - tudo o que ele nos dá

Hoje não vos venho falar de mim, ou daquilo que estou a sentir, nem de um assunto que me revolta. Hoje, guardei um bocadinho do meu tempo para vos falar de uma pessoa que eu admiro sem sequer conhecer e que me tem acompanhado durante toda a minha vida.

Venho falar-vos de Pedro Abrunhosa. Como todos sabem, é um cantor português de renome, que completou no ano passado 20 anos de carreira. Não vou começar aqui com biografias esquisitas, se querem biografias fazem favor de consultar o Wikipedia.

A razão pela qual venho falar dele relaciona-se com a marca que ele deixou em mim desde que conheço as músicas que compõe e escreve. A música que me mais me faz vibrar é, sem qualquer dúvida, a “Tudo o que eu te dou”, mas nenhuma outra me passa ao lado. Desde as mais antigas às mais recentes, todas, sem qualquer exceção ou critério, me dizem algo.

Já o vi duas vezes ao vivo e tive a sorte de estar pessoalmente com ele, mas prometi a mim mesma, desde a primeira vez, que iria a todos os concertos próximos da minha zona, não porque goste de ver coisas repetidas, não porque dê um valor enorme a ver um cantor ao vivo, mas porque o espetáculo dele não é apenas um concerto com meia dúzia de músicas. É mais que isso. É um momento de paz, em que todas as pessoas presentes se unem para partilhar, por algumas horas, o que sentem quando ouvem aquelas músicas. Sinto magia cada vez que o ouço ao vivo. 

Todas as músicas deste cantor me dizem algo, mas as que mais me têm marcado são aquelas que falam de perda e que são dedicadas ao seu falecido irmão. Pedro Abrunhosa sabe escrever a dor de uma forma tão bonita que nos faz sentir a dor dele e partilhá-la. As suas músicas são misteriosas e, ao mesmo tempo, transparentes, porque quem sentiu aquela dor, sabe reconhecê-la em cada música.

Para aqueles que dizem que não é um cantor, mas sim um intérprete, ou alguém que "diz umas coisas", não percebem quão enganados estão. Estão no direito de não gostar das músicas ou do estilo, mas nunca poderão afirmar que ele não é um cantor, porque acreditem que o é. Se as músicas dele fossem cantadas em vez de "quase faladas", não tinham metade do significado que têm.

Não sei por que razão decidi escrever este texto, mas senti uma vontade enorme, porque há pessoas que nos marcam sem sequer nos conhecerem, que acompanham a nossa vida, a nossa dor e nos fazem perceber, muitas vezes, que não somos os únicos a perder alguém, ou a amar alguém.

Ao Pedro, um muito obrigada, por ser a única pessoa capaz de descrever exatamente o que sinto, fazendo-me, simultaneamente, sentir muito melhor. Que continue a ser o (na minha opinião) melhor músico, intérprete e cantor português da atualidade. 

PESSOAL: "A morte é a curva da estrada"

De vez em quando, no meio de toda a poeira dos meus dias, lembro-me de uma pergunta que há tanto tempo paira na minha cabeça e à qual nunca consigo responder: o que é a morte?

A morte está muitas vezes no meu pensamento, não porque seja pessimista ao ponto de pensar que toda a gente pode morrer a qualquer altura, mas porque só muito tarde tive noção da sua existência e, como tal, sinto-a mais presente no meu dia-a-dia, pois desde que a conheci nunca mais me esqueci dela.

Até aos meus 14 anos pensava que a morte só acontecia aos outros. Ela existia, sim, mas não existia na minha vida, na vida das pessoas que amo. A morte era uma coisa que acontecia a pessoas afastadas de mim, mesmo que algumas até fossem da minha família. Família mais afastada. Para mim era impensável as pessoas que amo morrerem enquanto eu fosse nova, porque as pessoas que amo teriam de estar presentes nos momentos mais marcantes da minha vida, era por isso que se chamavam família e amigos, era por isso que estavam ao nosso lado. Chamem-me ingénua se quiserem, talvez o fosse, mas era feliz assim e quem me dera voltar a sê-lo. 

Um dia, a vida tirou-me essa ingenuidade. O mais curioso é que é a vida que nos traz a morte. Estavamos a 14 de Outubro de 2010. Uma quinta-feira cheia de sol que nunca mais esquecerei. O meu avô estava internado há 12 dias e eu não o tinha ido ver, porque ele ia voltar. Já tinha ido tantas vezes para o hospital, tendo sempre voltado, qual seria a diferença desta vez? 

O que é certo é que não voltou. Não voltou a bater-me à porta para saber o resultado dos jogos do Benfica, não voltou a tropeçar no carregador do meu computador (deixando-me completamente zangada por causa disso), não voltou a abraçar-me até aos ossos e a dizer "estás quase do tamanho do avô", não regressou a casa depois de um jogo de cartas no café. Nunca mais voltou e foi aí que eu percebi que as pessoas que amamos também morrem. 

Já passaram quase 5 anos, estaria provavelmente agora na fase da aceitação. Mas não estou. Quem é que em seu perfeito juízo aceita que a vida nos leve as pessoas que mais amamos? Era suposto ele ter-me visto acabar o secundário, ter conhecido o meu namorado, ter-me visto entrar na universidade. Era suposto ele ir ao meu casamento, com o casaco que ele tinha para todos os casamentos das pessoas de quem ele realmente gostava.

Já esqueci a voz dele. Dói muito. Mas o pior não é esquecer. O pior é continuar a esperar que ele volte. Ainda hoje espero. Ainda hoje tenho esperança que seja ele a bater à porta, ainda hoje espero o momento em que ele volta e me abraça de novo até aos ossos. Só o meu avô sabia abraçar até aos ossos. Até ficar sem ar e ter de lhe pedir, resmungona, para parar. E quem me dera agora que ele nunca tivesse parado.

Há 5 anos a vida mostrou-me que a morte existe, que é real e que não acontece só aos outros. E é por isso que ela paira na minha vida com uma presença demasiado marcante. Agora sei que a vida nos tira as pessoas que mais amamos e que isso pode acontecer sem qualquer aviso, sem qualquer razão aparente. Ter essa consciência mata-me um pouco todos os dias. Era tão mais fácil quando eu acreditava que as pessoas que amo não podem ser levadas de mim.

Mas continuo à espera. E tive de aprender a caminhar enquanto espero, a seguir em frente enquanto acredito que um dia ele irá voltar. Sigo em frente porque é ele que me dá forças para o fazer. Mas como não ir abaixo quando a saudade aperta e quando me apercebo que passados quase 5 anos a dor ainda está tão viva e tão presente?

No fim de tudo isto, só me surge uma definição de morte: morte é esperar. Esperar um regresso que sabemos que nunca vai acontecer. Esperar um sinal que sabemos não existir. E ir caminhando enquanto se espera. Se vale a pena? Não, mas ajuda a continuar.

OPINIÃO: A homossexualidade num país sem bom senso

Confesso que a inspiração para escrever não tem estado do meu lado e a vontade também não. Nem sempre consigo estar inspirada e nem sempre posso ter vontade de exprimir aquilo que penso ou sinto. Vai acontecer muitas vezes e é por isso que não publico posts sem fim todos os dias. Prefiro publicar o que me apetece, quando me apetece, porque não pretendo dar notícias ou informação, mas sim comentar a atualidade e falar daquilo que está na minha mente.

Passei por aqui hoje para falar de um assunto que me revolta há imenso tempo e que cada vez me deixa mais desconfortável: o facto de a co-adoção de crianças por casais homossexuais ter sido chumbada, mais uma vez (segunda vez, se não me engano). 

Cada vez que penso nisto, surgem várias questões no meu pensamento: Será que os atrasados mentais que nos governam (não querendo ferir suscetibilidades, mas é exatamente aquilo que eles são) não entendem que um casal homossexual está tão apto para cuidar de uma criança como um casal heterossexual? Será que não conseguem ver os casais heterossexuais que andam por aí a tratar mal os filhos? Será que pensam que um casal homossexual vai tratar pior uma criança só porque é composto por dois homens ou por duas mulheres?

Como é possível sermos tão cegos ao ponto de deixarmos que sejam estes atrasados mentais a governarem o nosso país e, no fundo, a comandarem as nossas vidas? Como podemos permitir que um governo democrático diga NÃO ao facto de um casal homossexual querer adoptar um filho em conjunto? Será isto realmente democracia? Democracia não deveria ser respeitar os gostos de cada um, a liberdade de cada um, a sua capacidade de escolher o rumo que quer dar à sua vida e a igualdade de direitos entre todos os cidadãos? Ou democracia é só uma palavra bonita que está no dicionário e que é dita em campanhas eleitorais para nos atirar areia para os olhos?

Aqueles palhaços que nos governam vêm falar, como sempre, nas coitadinhas das crianças que ficam traumatizadas para a vida se, em vez de terem um pai e uma mãe, tiverem dois pais ou duas mães. Então e as crianças que têm um pai e uma mãe e ficam traumatizadas porque são abusadas por eles, ou porque são abandonadas e maltratadas? Esquecem-se que as pessoas não nascem preconceituosas: tornam-se. E, no meu ponto de vista, uma criança que crescesse com dois pais ou com duas mães, poderia passar um mau bocado pelos olhares preconceituosos da sociedade (principalmente dos colegas de escola), mas acabaria por se habituar e isso só faria com que se tornasse mais forte. 

Qual é o problema de, na escola, uma criança ser gozada por ser filha de um casal homossexual? As crianças que são filhas de casais heterossexuais são gozadas na mesma, por serem gordas, magras, altas ou baixas, por usarem óculos, por não terem jeito para educação física, por não saberem matemática, por não terem tanta capacidade de aprendizagem. Claro que é mau uma criança ser gozada, mas faz parte e ajuda a crescer, desde que se tenha um bom apoio em casa quanto a isso. Além disso, se são dados castigos às crianças que gozam com outras por serem gordas ou etc, também poderiam castigar-se crianças que gozassem com outras por este motivo.

Se a co-adopção por casais homossexuais for (um dia) aceite, eventualmente as crianças (e até os adultos) começarão a olhar para isso como algo normal, começarão a aceitar, tal como fazem com os casais homossexuais, tal como fazem com o aborto, tal como fazem com as pessoas de outras raças. Haverá sempre preconceito, é certo, mas poderá ser controlado e até combatido (nunca totalmente, mas em grande parte). No entanto, para isso, é necessário que as coisas sejam feitas, pois sem sermos confrontados com elas nunca as aceitaremos.

Tenho apenas 18 anos e sinto vergonha do meu país, de quem o governa, por tomar decisões contra o amor, o afecto e contra a igualdade de direitos. Tenho vergonha de viver num país governado por pessoas sem escrúpulos, que só pensam no próprio umbigo e que não entendem que amor de PAIS é amor de pais, sejam eles hetero ou homossexuais. 

Quando é que vamos abrir os olhos e deitar abaixo quem todos os dias nos tenta destruir? Quando é que vamos abrir os olhos e perceber que todas as crianças têm direito a ter pais, a ser amadas e que um casal homossexual não cumpre pior esse papel do que um casal heterossexual?

Irei sempre defender um mundo em que cada um possa amar quem quer, em que todos nós possamos ser felizes à nossa maneira, mesmo que isso incomode os demais. Até porque, fiquem desde já a saber, se a nossa felicidade incomoda alguém, estamos a fazer algo certo, pois não podemos agradar toda a gente. 

OPINIÃO: Exames, notas, números - quanto valem realmente?

Exames. Sou estudante há 13 anos e todos os dias me pergunto por que razão é que é suposto um exame definir aquilo que sabemos e aquilo que valemos em termos futuros. A minha intenção não é, de todo, criticar o sistema atual de ensino, até porque não vou criticar algo que infelizmente não está nas minhas mãos e que não sei se poderia ser de outro jeito. O meu objetivo com este post é apenas dar o meu ponto de vista, que não é favorável, mas não visa perturbar ou ofender ninguém.

Na minha opinião (e vale o que vale), um aluno não deve ser definido por aquilo que faz ou diz num exame. Um exame dura entre 1h30 a 2h30 (às vezes 3h), é um momento, um espaço determinado de tempo em que é suposto escrevermos num papel aquilo que sabemos, mas apenas aquilo que o professor quer verificar se sabemos. 

Em primeiro lugar, cada um de nós tem mais aptidão para perceber determinadas matérias do que outras. Por exemplo, sempre fui boa a perceber e até decorar matéria sobre História de Portugal, mas sou péssima em decorar História relacionada com Arte e afins. Se o professor decidir perguntar sobre Arte, estou tramada. Isso não significa que não seja boa aluna, significa que é uma matéria que não absorvo tão bem e que, nem a estudar muito, consigo perceber. Ora, isto mostra que o facto de os professores selecionarem a matéria que querem que nós saibamos naquele exame e naquele momento, é totalmente injusto, porque o que eu sei bem pode nem sequer ser uma das escolhas.

Em segundo lugar (e o mais importante de tudo), podemos saber a matéria toda de trás para a frente, perceber tudo, decorar tudo, ter esquemas mentais organizados e textos quase pré-estabelecidos, mas se estivermos num mau dia, se tivermos uma branca, se o carro dos nossos pais tiver um problema a caminho da faculdade/escola ou se o nosso cão tiver morrido não estaremos concerteza no nosso melhor, pelo que poderá acontecer não conseguirmos mostrar ao professor que sabemos tudo aquilo. O final já sabemos: acabamos, como é óbvio, com uma má nota e com o rótulo de "não sabes nada" estampado na testa.

A minha questão é: serão mesmo as x horas de um exame que têm de definir a nossa vida? Será que merecemos ser rebaixados e, muitas vezes, sentirmo-nos frustrados, apenas porque naquele momento, embora soubessemos toda a matéria, não conseguimos dar o nosso melhor? Será justo para nós, alunos, trabalharmos dois ou três anos para um disciplina (ou até um ano que seja), conseguirmos acabar com boa nota e, nos exames de fim de ciclo, termos uma má nota que definirá o nosso percurso de certa forma?

Aconteceu-me várias vezes durante o meu percurso escolar sentir-me injustiçada pela forma de avaliação existente em Portugal (e, é claro, noutros países). Não considero que um exame me defina como aluna. A meu ver, o mais importante é o trabalho contínuo, o trabalho de aula, o trabalho de casa. Sim, sou a favor de exames, porque é necessário haver uma avaliação de conhecimentos. Mas sou contra a importância exagerada que lhes é dada. Os exames deveriam ser menos importantes na avaliação de um aluno do que aquilo que ele faz durante o ano.

Esta situação sempre me revoltou, mas começou a revoltar-me mais no final do meu 12º ano, quando no exame de História tirei uma nota miserável. Tive História desde o 5º ano, mas História A desde o 10º. Trabalhei 3 anos para conseguir uma boa média a todos os níveis, mas principalmente a História, por ser uma disciplina que exige mais trabalho, e por saber que teria um exame ao fim de 3 anos. Nunca gostei de História. Nunca me interessei muito. Mas tive de aprender a tornar a matéria interessante. Aprendi sozinha. Aprendi a estudar, a perceber, a decorar. Aprendi a interessar-me por algo que nunca me tinha chamado a atenção. Comecei com uma nota boa, subi para uma melhor e acabei com a nota pela qual lutei durante três anos.

Mas eis que chega o exame e aquela nota horrível. Fez-me descer a média em geral e a média da disciplina (de forma significativa). Senti-me frustrada, desiludida e pensei mesmo em ir à segunda fase. Mas não fui, porque o meu orgulho teve de ser mais forte. Senti-me injustiçada, não por achar que merecia mais, até porque sei que naquele exame não merecia, mas por ter a noção de que foi um mau dia, um momento em que não consegui dar o meu melhor e esse momento fez-me perder aquilo pelo qual tinha lutado durante 3 anos. 

Obviamente consegui entrar no curso onde queria, sem problemas com esse exame, mas às vezes ainda me questiono: não devia ser o trabalho que tive durante 3 anos com aquela disciplina a definir-me como aluna? Já nem falo de eliminar a importância dos testes, mas sim dos exames finais, que são os piores, porque nos obrigam a relembrar coisas que já esquecemos e a saber uma enorme quantidade de matéria em tão pouco tempo. E, o pior: roubam-nos 30% da nota. 

É por tudo isto e partindo também da experiência de exames que estou a ter neste momento, que defendo que devia ser dada uma maior importância ao trabalho durante os anos em que se tem determinada disciplina (contando, obviamente, testes), e menor importância aos exames de final de ciclo, que nada dizem acerca da nossa sabedoria, da nossa qualidade como alunos e da nossa capacidade de aprender. 

OPINIÃO: Eu luto, tu lutas, ele espera que caia do céu

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Começo a ficar um bocado cansada de ouvir pessoas a dizer "quero um futuro melhor", "quero um bom emprego", "quero poder trabalhar na área com que sempre sonhei". Quero. Quero. Quero. Será que só conhecem o verbo querer? 

Há alguns anos (embora pareça ter sido ontem), uma professora minha disse uma coisa que me marcou de forma tão profunda que me lembro disso quase todos os dias: "O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário." Uma frase de Einstein. Uma frase que se tornou uma espécie de lema de vida para mim e que me faz ter mais força quando começo a ficar cansada de me esforçar para atingir os meus objetivos.

A verdade é mesmo essa. Não há sucesso sem trabalho. Não há aquele emprego de sonho sem um esforço de uma vida para o conquistar, para ser merecedor dele. Por isso, esqueçam o querer e comecem a dar mais valor ao trabalhar. Dêem o vosso melhor para conquistar os vossos objetivos, façam sacrifícios, porque a vida é toda ela um sacrifício que deve ser feito para alcançar o maior objetivo de todos: a felicidade. Façam-no e verão que não há nada melhor do que alcançar um objetivo e poder dizer: "Eu trabalhei para isto, fiz tudo o que pude e até o que não pude, e se aqui estou é por mérito próprio".

Não sou ninguém para tentar dar lições de moral, mas sempre lutei por aquilo que queria e sempre trabalhei para alcançar os meus objetivos e fico indignada por ver pessoas que esperam resultados sem fazerem sequer um pequeno esforço.

 

OPINIÃO: Ponhamo-nos todos a jeito

 

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 Tenho andado tão ocupada com os estudos que acabei por não vir cá tanto como gostaria de vir. Mas hoje teve de ser. É tarde, estou exausta, mas antes de ir dormir tinha mesmo de vir aqui fazer esta pequena reflexão.

Há dois ou três dias surgiu aquela polémica com o Gustavo Santos, que decidiu expressar a sua infeliz opinião acerca do atentado ao Charlie Hebdo, no Facebook. Confesso que quando li o post dele senti algum incómodo, mas hoje senti revolta. Hoje senti revolta porque, ao saber que ele esteve no "Você na TV", fui espreitar o programa para ver o que ele tinha dito. Confesso que tive "esperança" de que ele fosse desmentir as barbaridades que escreveu no Facebook. Esperança em vão. Tudo o que ele disse foi que "o humor tem limites" e "não nos devemos meter a jeito", principalmente quando se trata de "extremistas radicais".

O incómodo que senti inicialmente quanto à opinião dele transformou-se em revolta. Como pode alguém ser tão estúpido e atrasado ao ponto de dizer uma coisa daquelas? Por que raio é que ele acha que é válido determinado tipo de humor em relação aos políticos e não em relação aos muçulmanos extremistas? Que raio de actor é ele se, mesmo tendo uma profissão que assenta na liberdade de expressão, não consegue respeitar a sua existência?

Na minha opinião, e contradizendo o que esse "querido" fez questão de repetir tantas vezes e sem qualquer vergonha na cara, o humor não tem limites, tem apenas o limite do bom e do mau gosto. Tem de haver bom senso por parte de quem pratica humor e por parte de quem o recebe, de quem é "vítima" dele. Ninguém gosta de ver os seus valores ou crenças "humilhados em praça pública", é certo, mas o humor é isso mesmo. E temos de aprender a rir de nós próprios.

Não somos nós, jornalistas, humoristas, cartoonistas e outros artistas, que temos de ter medo de dizer o que pensamos só porque os coitadinhos são extremistas e desatam a matar tudo e todos. Eles é que têm de abrir a mente e perceber que humor é humor e tem de ser respeitado. Eles é que têm de encarar as críticas como apenas críticas e manterem-se fiéis aos seus ideais se é isso que pretendem. Não somos nós que estamos mal, são eles. Não somos nós que precisamos de nos calar, são eles que precisam de aprender a saber ouvir.

O nosso "querido" Gustavo Santos teve ainda a infeliz ideia de dizer que os muçulmanos extremistas seguem o que está na bíblia deles e por isso é que matam quem vai contra os seus ideais. Esse sujeito esquece-se é que, há muitos anos, em Portugal, quem não era Cristão era perseguido e morto, porque a bíblia tinha de ser seguida por todos, todos tinham de ser Cristãos. Hoje, isso não acontece, porque a nossa sociedade evoluiu, porque estavamos mal e mudámos. Mais uma prova de que o problema dos extremistas é que não evoluem, não aceitam críticas sem matarem toda a gente logo de seguida. O problema são eles, não somos nós.

Liberdade de expressão é podermos dizer o que quisermos, quando quisermos, da forma que quisermos, respeitando sempre os limites e a liberdade do outro. O humor é a mais forte arma política e até religiosa de sempre, é a forma mais eficaz de ridicularizar uma situação e já contribuiu várias vezes para mudar o que está menos bem. Ninguém gosta de estar do lado de lá, ninguém gosta de ser o ridicularizado, a vítima. Mas liberdade de expressão implica também ter uma mente aberta e respeitar a liberdade de expressão dos outros.

Ora, seguindo da linha de pensamento do Gustavo Santos, estamos todos a pôr-nos a jeito quando dizemos coisas que pensamos e com as quais os outros não concordam. Gustavo Santos, que diz ter sido ameaçado nos comentários ao seu post no Facebook, estava (seguindo a sua linha de pensamento) a "pôr-se a jeito". 

O único limite da liberdade é o respeito pelo próximo e a compreensão da sua própria liberdade. Não tem de haver imposições à liberdade de expressão, muito menos religiosas ou políticas. Tentem calar-nos, deitar-nos abaixo, ameacem-nos, matem-nos até, mas nenhum sangue derramado nos tirará as forças para dizer aquilo que pensamos.

Ponhamo-nos todos a jeito, se isso significar dizermos o que pensamos, quando pensamos e sem medo das consequências.