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Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

Upside Down

Um blogue de uma futura (e esperançosa) jornalista, que vê na escrita um refúgio para os bens e para os males da vida.

BIOGRAFIA: Júlio Magalhães

 

Júlio Magalhães nasceu no Porto, a 7 de Fevereiro de 1963, e é um dos jornalistas portugueses de maior relevância.

Inicou a sua carreira com apenas 16 anos, como colaborador de O Comércio do Porto, na secção desportiva. Trabalhou, também, no Jornal Europeu, n'O Liberal, e na Rádio Nova, até se estrear na RTP, em 1990, como jornalista, repórter e apresentador.

Dez anos depois deixa a RTP, que afirma estar "demasiado politizada" e onde esteve "numa posição em que o importante era ganhar dinheiro ao fim do mês", pois "não concordava com nada do que lá se fazia".

(fonte: http://revistacomum.no.sapo.pt/impressoesdigitaismagalhaes.html)

Ao deixar a RTP vai para a TVI, onde se destaca verdadeiramente e ganha, então, reconhecimento por parte do público. Em 2009 é convidado a assumir o cargo de Diretor de Informação do mesmo canal, mantendo esse cargo apenas dois anos.

Em 2012, Pinto da Costa apresenta-o como diretor-geral do Porto Canal, um projeto recente, no qual se mantém até aos dias de hoje.

Júlio Magalhães publicou, também, várias obras, entre elas Os Retornados Um Amor em Tempo de Guerra.

Quando deixar o Porto Canal, "gostava de experimentar uma carreira empresarial ou política", "ser presidente da Câmara do Porto (...), mas também gostava de um dia apenas viajar, escrever livros e jogar golfe."

(fonte: http://www.dn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=2239482)

 

 

 

 

Para a biografia de hoje escolhi Júlio Magalhães, por ser o meu jornalista preferido - razão pela qual o texto ficou curto, pois não conseguiria evitar a subjetividade se o alongasse mais. Profissionalismo, dedicação e talento são os adjetivos que, a meu ver, o qualificam enquanto profissional do jornalismo português. E embora gostasse de o ver na TVI, acredito que o Porto Canal é a estação de televisão à qual ele pertence e na qual se enquadra melhor.

Deixo-vos, também, o vídeo de um dos momentos mais engraçados (na minha opinião) do Jornal das 8 da TVI, bem como a despedida de Júlio Magalhães do canal, aquando da sua mudança para o Porto Canal.

 

 

 

 

OPINIÃO: "Um lar debaixo da ponte"

Perante todos os comentários que vi acerca da reportagem da TVI, transmitida ontem, sobre a vida de dois sem-abrigo, não pude deixar de sentir curiosidade em ver. Acabei agora de ver os 27 minutos de uma reportagem que parecia nunca mais ter fim. Digo isto não por ter sido entediante (foi tudo menos isso), mas porque foram 27 minutos em que eu me odiei por me queixar tanto da vida maravilhosa que tenho, quando comparada com tantas pessoas que não podendo viver, apenas sobrevivem.

"Estou aqui porque preciso de cá estar", foi uma das primeiras frases da reportagem. Juan Bento e Fernando Torrezão. Dois dos tantos sem-abrigo que por aí vamos vendo. Duas pessoas que vivem debaixo de uma ponte, com pouco ou nada e que, mesmo assim, sorriem. Sorriem porque não têm nada mas estão vivos. Sorriem porque enquanto houver amanhã haverá sempre esperança. E como temos nós a lata de perder a esperança por coisas tão desnecessárias, quando pessoas como estas a conseguem manter?

Em Portugal, 1 em cada 5 pessoas são pobres. É exatamente isto que mais me revolta. Vivemos num país em que a pobreza é desculpada, quase como se fosse perfeitamente natural e válido esta estatística ser verdadeira. Portugal é um país governado por aqueles que acham que viver na rua é um luxo, por aqueles que acreditam que toda a gente pode viver com pensões e ordenados míseros (quando os têm) menos os Senhores Doutores que mandam nesta merda toda. Perdoem-me a linguagem, mas às vezes é preciso dar nomes às coisas e este país não passa de uma merda, no seu estado mais puro.

Ao ver casos destes (e outros que não são mediatizados) penso instantaneamente no que poderia fazer para ajudar. E pergunto-me: será que esses filhos da mãe que nos governam não pensam que um pedacinho do ordenado deles poderia ajudar muita gente? Será que não entendem que os milhões que metem ao bolso davam para salvar muitas pessoas da crueldade das ruas? Se alguns cidadãos comuns (mesmo não tendo muito) conseguem sentir a necessidade e até o dever de ajudar estas pessoas, como é que aquela gentinha não sente isso?

A meu ver, ajudar os sem-abrigo e toda a gente que faz parte da estatística que cobre o nosso país com um manto de vergonha, deveria ser um DEVER de todos, mas principalmente daqueles que têm tanto e nada fazem. Como podem eles dormir sabendo que 1 em cada 5 pessoas não sabem o que é viver, porque a única coisa que lhes é permitida é sobreviver? Somos governados por pessoas ou por cavalos? Sem ofensa aos cavalos, que devem concerteza ter mais sentimentos.

Chorei durante toda a reportagem. Chorei porque a verdade dói, custa a engolir e porque dou e sempre dei um valor enorme a pessoas que conseguem ir vivendo desta forma e que, mesmo assim, se dignam a ser pessoas honestas, quando tinham todas as razões do mundo para não o serem - visto que a desonestidade dá mais lucro por estes lados.

Orgulho-me de, pelo menos, viver num país em que os media fazem o que deve ser feito: divulgam estes casos. Se não servir como uma forma de abrir os olhos a quem se nega a ver, que sirva pelo menos de uma chapada na cara para esses "senhores" que todos os dias nos tentam atirar areia para os olhos com toda a porcaria que dizem.

Sinto-me revoltada com o país em que vivo, com a sociedade hipócrita e atrasada que temos e, principalmente, com os "ricalhaços" lá de cima, que são tão ricos e acabam por não ter nada.

Nunca esquecerei uma das últimas frases que Fernando disse: "Não sou capaz de pedir nada a ninguém, quando o faço é por grande necessidade ou porque tenho muita fome para o fazer."

Quando vivemos num país em que um sem-abrigo demonstra não ser capaz de pedir nada a ninguém, enquanto quem nos governa nem pede - apenas rouba - algo está mal. Se eu, que não sou ninguém, consigo ver isso, por que raio é que quem devia ver não vê?

Somos um país de cegos, do pior tipo de cegos: aqueles que não querem ver.